A estética agradavelmente violenta de Round 6

Round 6 é um fenômeno mundial exibido e produzido pela Netflix, uma obra de arte para alguns e uma peça de mau gosto para outros, mas poucas pessoas que gostam de séries e filmes passam incólumes pela produção coreana.

Todo mundo comenta!

Round 6

Apesar das mortes constantes ao melhor estilo Jogos Mortais e do drama da falta de dinheiro dos participantes do “Jogo da Lula”, uma informação gráfica passa desapercebida do grande público, o design dos ambientes criados dentro da ilha.

Talvez o objetivo do diretor e criador da série, Hwang Dong-hyuk, tenha sido trabalhar tão bem as cores e as formas que mesmo com os tiros em seres humanos, quedas de lugares altos, desmembramentos, esmagamento de crânios e outras bizarrices, a sensação de assistir dificilmente ficava longe da mais pura satisfação.

É perceptível que todos os traços de humanidade dos ambientes ficam do lado de fora do jogo pois, lá dentro, a insipidez das salas e do grande quarto transforma aquelas pessoas no que elas têm nas costas e no peito, apenas números, verdadeiras coisas.

O pé direito alto do ambiente em que os participantes dormem é claramente para trazer a sensação de que não há escapatória ali, uma vez que o próprio dinheiro que fica no teto está totalmente inalcançável e os guardas andam fortemente armados.

A mesma técnica é usada em outros ambientes, como no pátio em que todos os participantes jogam o malfadado jogo da boneca assustadora, “Batatinha Frita 1, 2, 3!”, onde os participantes correm para uma porta só quando percebem que vão morrer, passando a clara sensação de que não há escapatória se não participando do jogo.

Na sala colorida do labirinto o jogo também deixa claro que não há como sair, possibilidade que só é posta a prova quando o policial invade a ilha, mostrando como os preparativos para os jogos são feitos.

As cores rosa, verde, vermelho, amarelo e azul são usadas sem dó em um ambiente com similitude a brinquedos bem coloridos, isso faz com que o local torne-se totalmente sem vida, afinal, a grande maioria dos brinquedos hoje são feitos totalmente de plástico, uma matéria que exibe pouca vida.

Objetos como madeira e plantas ficam apenas no lado de fora e como a vida aqui fora é muito pouco interessante para muitos, se jogar naquele mar de cores que mais parece o ambiente ideal para um youtuber em troca de dinheiro parece uma ideia boa.

O ambiente criado na ilha de Round 6 foi produzido para gerar uma viagem agradável aos olhos, mas ruim em sensações e é isso que a série passa na maior parte do tempo, um local onde brota sofrimento e dor, mas nunca felicidade e vida.

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